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As exportações brasileiras do agronegócio movimentaram US$ 15,2 bilhões em agosto de 2026, alta de 6,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, mas queda de 6,8% na comparação com julho. No setor sucroenergético, o destaque foi o contraste entre a retração dos embarques de açúcar e o crescimento das exportações de etanol, segundo análise do Itaú BBA com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Os embarques de açúcar VHP somaram 2,2 milhões de toneladas em agosto, queda de 33% frente ao mesmo mês de 2025 e de 12% em relação a julho. De acordo com o banco, a redução ocorreu em um cenário de menor disponibilidade de açúcar no Centro-Sul, diante da queda da moagem e do ATR da cana-de-açúcar.
O preço médio de exportação do açúcar bruto VHP ficou em US$ 339,10 por tonelada, recuo de 14% na comparação anual, mas alta de 2% ante julho.
Já as exportações de açúcar refinado apresentaram comportamento diferente. Os embarques cresceram 12% em relação a agosto do ano passado, alcançando 475 mil toneladas. O preço médio, porém, caiu 13%, para US$ 383,80 por tonelada.
Etanol ganha espaço
No mercado de etanol, os embarques alcançaram 214 milhões de litros em agosto, crescimento de 37% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 19% frente a julho.
Apesar do aumento dos volumes, o preço médio recuou. O produto foi exportado a US$ 501,10 por metro cúbico, queda de 11% na comparação anual e de 7% em relação ao mês anterior.
O desempenho reforça a importância do etanol na pauta externa do setor sucroenergético em um momento em que a disponibilidade de açúcar para exportação está mais limitada pela dinâmica da safra no Centro-Sul.
Exportações do agro
Considerando todo o agronegócio, a receita acumulada entre janeiro e agosto chegou a US$ 118,5 bilhões, avanço de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Em agosto, o desempenho foi sustentado principalmente por maiores volumes embarcados de soja, farelo de soja, óleo de soja, café e carnes de frango e suína. Por outro lado, houve retração nas exportações de açúcar, milho e carne bovina in natura.
No complexo soja, as exportações do grão totalizaram 9,8 milhões de toneladas em agosto, alta de 5% em relação ao mesmo mês de 2025, mas queda de 27% ante julho. O Itaú BBA atribui o resultado anual à demanda internacional ainda firme e aos prêmios de exportação elevados no Brasil, em um cenário de mercado global relativamente ajustado.
O preço médio da soja exportada chegou a US$ 449,60 por tonelada, alta de 8% em um ano e de 3% no mês.
No farelo de soja, os embarques alcançaram 2,3 milhões de toneladas, aumento de 23% na comparação anual e de 1% ante julho. O preço médio foi de US$ 366,20 por tonelada, alta de 10% em relação a agosto de 2025.
As exportações de óleo de soja somaram 207 mil toneladas, crescimento de 31% em um ano, embora tenham recuado 35% na comparação mensal. O preço médio ficou em US$ 1.206,60 por tonelada, avanço de 10% em relação a agosto do ano passado.
Na carne bovina in natura, os embarques totalizaram 196 mil toneladas em agosto, queda de 27% na comparação anual e de 14% frente a julho. Segundo o Itaú BBA, o resultado refletiu principalmente a forte retração das compras chinesas, parcialmente compensada pela demanda de Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Arábia Saudita.
Mesmo com a queda de agosto, o acumulado de janeiro a agosto registra 1,9 milhão de toneladas exportadas, alta de 5% ante o mesmo período de 2025. O preço médio chegou a US$ 6.165,70 por tonelada, avanço de 10% em um ano.
As exportações de carne de frango in natura, por sua vez, cresceram 24% em agosto, para 428 mil toneladas. Na comparação mensal, houve recuo de 1%. No acumulado do ano, os embarques chegam a 3,4 milhões de toneladas, alta de 16%.
O preço médio do frango ficou em US$ 2.051,10 por tonelada, aumento de 12% em relação a agosto de 2025.
Na carne suína, foram exportadas 115 mil toneladas em agosto, crescimento de 7% em um ano e queda de 1% ante julho. Entre janeiro e agosto, os embarques somaram 914 mil toneladas, alta de 7%. O preço médio, entretanto, recuou 9% na comparação anual, para US$ 2.336 por tonelada.
Milho perde competitividade
O milho também registrou queda nos embarques. Foram exportadas 4,6 milhões de toneladas em agosto, volume 32% menor que o registrado no mesmo mês de 2025 e 2,9% abaixo de julho.
O Itaú BBA aponta a concorrência mais intensa dos Estados Unidos e da Argentina, além da menor competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, como fatores para o desempenho.
O preço médio de exportação ficou em US$ 215,50 por tonelada, alta de 4% em relação a agosto do ano passado e praticamente estável na comparação mensal.
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações brasileiras de milho somam 14,5 milhões de toneladas, queda de 8% frente ao mesmo período de 2025.