
A valorização do diesel no mercado internacional volta a colocar os custos de produção e logística no centro das atenções do agronegócio. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, a alta do combustível nos Estados Unidos e a possibilidade de restrições às exportações americanas acrescentam uma nova variável ao cenário do cereal.
O diesel chegou a US$ 6,45 nos Estados Unidos, enquanto cresce a discussão sobre uma eventual limitação das vendas externas do combustível. Como o país tem participação importante no comércio internacional de derivados, uma redução das exportações poderia diminuir a oferta disponível para outros compradores.
Nesse cenário, países dependentes do produto teriam de buscar novas origens, aumentando a disputa pelo combustível e provocando mudanças nos fluxos comerciais. O movimento também pode gerar pressão sobre preços e fretes, com reflexos nos custos ao longo das cadeias produtivas.
Para o arroz do Mercosul, o impacto não ocorre necessariamente de forma direta sobre o preço do grão. O diesel está presente em diferentes etapas da atividade, desde o funcionamento de tratores e colheitadeiras até o transporte de insumos, o deslocamento da produção até as indústrias e a logística destinada aos portos e mercados consumidores.
A preocupação está, portanto, na relação entre custos e margens. Uma disponibilidade internacional menor de diesel pode ampliar a concorrência pelo combustível e elevar despesas com energia e transporte justamente na safra 2026/27, período marcado por crédito caro, custos elevados e produtores buscando recuperar rentabilidade.
Além de área plantada, produtividade, estoques e consumo, o custo para produzir e movimentar cada tonelada de arroz tende a ganhar peso nas análises. O preço do cereal depende das condições de mercado, enquanto a construção da margem começa antes da comercialização, ainda dentro da lavoura.