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Área de algodão deve crescer 4% em Mato Grosso

O algodão brasileiro apresentou valorização em setembro, mesmo com a queda das cotações internacionais. Em Rondonópolis, Mato Grosso, o preço médio da fibra chegou a R$ 3,99 por libra-peso, avanço de 2,1% em relação a agosto. O movimento foi sustentado pelo câmbio, pela demanda externa e pela postura mais firme dos vendedores, em um cenário de exportações recordes.

Segundo o boletim Agro Mensal do Itaú BBA, o comportamento do mercado brasileiro contrastou com o observado em Nova York. Na bolsa norte-americana, a média do primeiro vencimento do algodão ficou em 80,8 centavos de dólar por libra-peso em setembro, recuo de 5% na comparação mensal. A redução das cotações internacionais ocorreu em um ambiente de demanda cautelosa da indústria têxtil e concorrência das fibras sintéticas. As incertezas relacionadas à economia chinesa e ao ritmo das vendas norte-americanas também contribuíram para limitar o interesse comprador.

Nos Estados Unidos, as condições das lavouras do Texas permaneceram como fator de atenção. No início de outubro, apenas 15% das áreas estavam classificadas como boas ou excelentes, enquanto 54% apresentavam condições ruins ou muito ruins. O quadro refletia os efeitos do calor e da baixa umidade sobre o potencial produtivo. No Brasil, o avanço do beneficiamento ampliou a disponibilidade de algodão da nova safra. Mesmo assim, parte dos produtores evitou aumentar as ofertas, aguardando oportunidades comerciais mais favoráveis. A indústria doméstica manteve compras pontuais, com liquidez limitada nas negociações.

As exportações brasileiras exerceram papel importante na sustentação dos preços. O país encerrou a temporada 2025/26 com embarques recordes de 3,4 milhões de toneladas, ampliando sua participação em mercados como Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia.

Para a safra mundial 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção de 25,5 milhões para 25,7 milhões de toneladas. Os estoques finais globais também foram revisados para cima, passando de 15,2 milhões para 15,4 milhões de toneladas.

Apesar da maior disponibilidade projetada, o consumo mundial de algodão permanece acima da produção estimada. O USDA prevê consumo de 26,8 milhões de toneladas na temporada 2026/27, configurando um déficit de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas entre produção e consumo. Esse desequilíbrio poderá oferecer sustentação às cotações no médio prazo.

No Brasil, a perspectiva também envolve ampliação da área cultivada. Em Mato Grosso, o avanço do plantio da soja favorece as condições para a implantação do algodão de segunda safra. Conforme dados do Imea apresentados no boletim, a área destinada à cultura no estado poderá crescer aproximadamente 4% em 2026/27.

A avaliação do Itaú BBA aponta que a maior oferta internacional pode limitar uma recuperação imediata dos preços, embora o déficit global entre produção e consumo mantenha elementos de sustentação para o mercado. No cenário brasileiro, a evolução da área cultivada, da demanda internacional e dos estoques deverá continuar influenciando as perspectivas comerciais.
 

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