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A Argentina poderá produzir 62 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, volume 7 milhões de toneladas superior à estimativa oficial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 55 milhões. A projeção consta de relatório do adido agrícola americano em Buenos Aires, divulgado em 23 de outubro, e aponta também para exportações de 43 milhões de toneladas, reforçando a perspectiva de oferta elevada no mercado internacional e de maior concorrência para o milho brasileiro.
A diferença entre os levantamentos representa 12,7% da produção estimada oficialmente pelo USDA. Embora a projeção do adido esteja ligeiramente abaixo das 63 milhões de toneladas previstas pelo próprio escritório para a temporada 2025/26, o volume colocaria a Argentina novamente próxima de seus maiores níveis históricos de produção.
Para alcançar esse resultado, o adido considera uma área colhida de 8 milhões de hectares, ante 8,2 milhões na temporada anterior, e uma produtividade média de 7,75 toneladas por hectare. O USDA oficial trabalha com 7,9 milhões de hectares e rendimento de 6,96 toneladas por hectare, mostrando que a principal diferença entre as duas estimativas está na produtividade esperada.
O levantamento do escritório americano também prevê consumo doméstico de 19,1 milhões de toneladas, diante de 17,7 milhões no balanço oficial do USDA. Já os estoques finais foram estimados em 5,6 milhões de toneladas, acima dos 5 milhões projetados pelo departamento.
Exportações argentinas podem ampliar concorrência com o Brasil
Além da diferença na produção, as perspectivas para as exportações chamam atenção. O adido estima que a Argentina embarque 43 milhões de toneladas de milho na temporada 2026/27, volume 5 milhões de toneladas superior aos 38 milhões previstos pelo USDA oficial.
Se confirmado, o resultado representaria o segundo maior volume de exportações de milho da história argentina, segundo o levantamento divulgado pela Terra Agro Insights, e manteria o país entre os principais concorrentes do Brasil no abastecimento internacional.
A perspectiva ganha importância em um momento em que o milho brasileiro tenta recuperar espaço no comércio exterior. Até a terceira semana de outubro, os embarques do Brasil somavam 2,87 milhões de toneladas, com média diária 11,8% inferior à registrada em outubro de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reunidos pela Terra Agro.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda-feira (26), Eduardo Vanin, analista da Agroinvest, destacou que o Brasil recuperou competitividade diante de outras origens para determinados destinos, incluindo mercados asiáticos, do Norte da África e do Oriente Médio. Entretanto, o país ainda precisa acelerar o programa de exportações entre novembro e janeiro para reduzir o volume de milho disponível na virada do ano.
Nesse cenário, a projeção de uma safra elevada na Argentina reforça a necessidade de acompanhar a disputa por compradores internacionais. A produção argentina de 2026/27 ainda depende do desenvolvimento das lavouras, mas seu potencial de exportação poderá influenciar a competitividade brasileira nos próximos meses.
Soja argentina também apresenta projeções superiores às do USDA
A diferença entre as estimativas do adido agrícola e os números oficiais americanos também aparece na soja. Em relatório divulgado em 7 de outubro, o escritório do USDA em Buenos Aires projetou a produção argentina de 2026/27 em 52,5 milhões de toneladas, acima dos 50 milhões previstos pelo USDA oficial.
O volume representa crescimento de aproximadamente 4% em relação às 50,5 milhões de toneladas estimadas pelo adido para a temporada anterior. A projeção considera uma área plantada de 17,4 milhões de hectares, ante 16,5 milhões no ciclo passado, enquanto a área a ser colhida é estimada em 17,1 milhões de hectares.
A maior disponibilidade de soja também deverá favorecer a indústria processadora argentina. O adido projeta esmagamento de 44,8 milhões de toneladas em 2026/27, diante dos 43 milhões considerados pelo USDA oficial. Se confirmado, será o segundo maior volume de processamento da história do país, atrás apenas da temporada 2014/15.
Por outro lado, as exportações de soja em grão foram estimadas pelo adido em 5,5 milhões de toneladas, abaixo dos 6,8 milhões projetados no balanço oficial americano. Os estoques finais, por sua vez, poderão alcançar 11,4 milhões de toneladas, ante 6,3 milhões previstos pelo USDA.
O cenário reforça a relevância da Argentina não apenas como fornecedora de grãos, mas também como concorrente no mercado internacional de derivados de soja, especialmente farelo e óleo. A perspectiva de maior processamento merece atenção diante do crescimento da demanda brasileira por soja destinada à indústria nacional.
Clima pode determinar tamanho efetivo da oferta
Apesar das projeções elevadas, o desenvolvimento das safras argentinas ainda enfrenta incertezas climáticas. Segundo o levantamento da Terra Agro, o fenômeno El Niño poderá favorecer as condições de umidade em parte das regiões produtoras, mas o excesso de chuvas entre novembro e dezembro também representa risco para os trabalhos de campo e para o desenvolvimento das lavouras.
No caso do milho, a consultoria destaca que uma parcela relevante da produção deverá ser implantada antecipadamente, o que aumenta a importância das condições meteorológicas nos próximos meses. O levantamento também aponta a possibilidade de produtores ampliarem a área de soja em relação ao milho em determinadas regiões, dependendo das condições agronômicas e dos custos.
Com isso, as estimativas do adido agrícola americano reforçam a perspectiva de oferta elevada de milho e soja na Argentina em 2026/27, mas sua confirmação dependerá do clima e do desempenho das lavouras. Para o Brasil, os principais pontos de atenção serão o potencial exportador argentino, a competitividade do milho nos mercados internacionais e a disponibilidade de derivados de soja ao longo do próximo ciclo.