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Arroz sobe 11% em um mês com retenção de produtores e maior disputa da indústria, aponta Itaú BBA

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Os preços do arroz ganharam força no mercado brasileiro entre agosto e setembro, sustentados pela menor disponibilidade de produto no mercado spot, pela retenção dos produtores e pelo aumento da disputa das indústrias pelos volumes ofertados.

Segundo análise do Itaú BBA, a saca de arroz passou de R$ 71,26 em 10 de agosto para R$ 79,12 em 9 de setembro, avanço de 11% em aproximadamente 30 dias.

O movimento ocorre mesmo com uma oferta física ainda considerada relativamente confortável. De acordo com o banco, parte dos produtores reduziu o ritmo de comercialização depois de um período prolongado de margens pressionadas, apostando na continuidade da recuperação das cotações.

Com menos produto disponível no mercado spot, as indústrias intensificaram a busca por matéria-prima para recomposição de estoques, aumentando a concorrência pelos lotes disponíveis e contribuindo para a valorização do cereal.

O comércio exterior também ajudou a retirar oferta do mercado doméstico. Em agosto, as exportações brasileiras de arroz somaram 198 mil toneladas, alta de 49% na comparação com julho. No mesmo período, as importações alcançaram 125 mil toneladas, mantendo o país com saldo comercial positivo.

Além da menor disponibilidade imediata, as expectativas para a safra 2026/27 também começam a influenciar o mercado. O Itaú BBA destaca que os resultados econômicos pouco atrativos registrados nos últimos ciclos reforçam as indicações de redução da área plantada no Brasil.

O banco também projeta queda de produtividade na próxima temporada, o que pode reduzir a produção brasileira e tornar o balanço doméstico mais apertado. Nesse cenário, a relação entre estoques e consumo tende a recuar, aumentando a sensibilidade dos preços a eventuais problemas de produção.

No mercado internacional, a perspectiva também se tornou mais construtiva. Após a safra recorde de 2025/26, a produção mundial de arroz é projetada com queda de aproximadamente 2% em 2026/27, enquanto o consumo deve novamente superar a oferta.

Esse movimento tende a iniciar uma redução dos estoques globais, embora os volumes ainda permaneçam elevados.

Entre os fatores de suporte, o Itaú BBA destaca a expectativa de menor produção nos Estados Unidos, após redução significativa da área cultivada, além dos riscos climáticos associados ao El Niño em importantes regiões produtoras da Ásia.

Por outro lado, a Índia continua funcionando como um limitador para movimentos mais fortes de valorização. O país mantém estoques elevados e segue como principal exportador mundial, garantindo disponibilidade importante ao mercado internacional.

Diante desse cenário, o Itaú BBA avalia que o mercado inicia a safra 2026/27 com fundamentos mais firmes do que nas últimas duas temporadas. No Brasil, a combinação entre recuperação recente dos preços, menor intenção de plantio e perspectiva de redução da oferta passa a colocar ainda mais atenção sobre o desenvolvimento da próxima safra.

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