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Os preços futuros do milho ampliaram as baixas na Bolsa de Chicago (CBOT) ao longo da manhã desta quinta-feira (29), com o principal vencimento voltando a perder o patamar de US$ 4,50 por bushel. O movimento acontece após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgar recuo nas vendas e nos embarques semanais norte-americanos, enquanto a entrada da safra dos Estados Unidos segue influenciando o mercado.
Por volta das 11h47 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 4,4950 por bushel, com desvalorização de 0,50% em relação ao fechamento anterior. O março/27 recuava para US$ 4,6250, enquanto o maio/27 era cotado a US$ 4,7050 e o julho/27, a US$ 4,7675 por bushel.
A pressão se intensificou em relação ao início da sessão, quando o dezembro/26 era negociado a US$ 4,5100. O contrato havia recuperado o patamar dos US$ 4,50 na quarta-feira (28), ao encerrar o pregão com valorização de 0,67%, mas voltou a trabalhar abaixo desse nível nesta quinta-feira.
Vendas recuam e embarques apresentam queda mais expressiva
Os dados divulgados pelo USDA nesta quinta-feira mostraram que as vendas líquidas de milho dos Estados Unidos para a temporada 2026/27 totalizaram 1.303.900 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro.
O volume representa uma redução de 15% em relação à semana anterior, mas ainda ficou 32% acima da média das últimas quatro semanas. O resultado também permaneceu dentro das expectativas do mercado, que trabalhava com estimativas entre 800 mil e 1,6 milhão de toneladas.
Entre os principais compradores apareceram destinos não revelados, com 411.800 toneladas, México, com 318.900 toneladas, Japão, com 251 mil toneladas, Coreia do Sul, com 124.900 toneladas, e Colômbia, com 55 mil toneladas.
A retração foi mais intensa nos embarques efetivos, que somaram 552.900 toneladas, queda de 29% em relação à semana anterior e de 57% na comparação com a média das últimas quatro semanas.
O México permaneceu como principal destino do milho embarcado, recebendo 333 mil toneladas, seguido por Honduras, com 110.300 toneladas, e Colômbia, com 56 mil toneladas.
Embora as vendas continuem em patamares relativamente elevados, a desaceleração dos embarques evidencia uma diferença importante entre os compromissos comerciais firmados e a movimentação física do cereal norte-americano.
Colheita segue pressionando as cotações
Além dos números de exportação, o mercado continua acompanhando o avanço da colheita nos Estados Unidos. Segundo o USDA, 60% da área cultivada com milho havia sido colhida até 25 de outubro, contra 44% na semana anterior.
Apesar do avanço expressivo, os trabalhos ainda permanecem abaixo da média histórica de 66% para o período. A entrada de novos volumes no mercado mantém a pressão sazonal sobre os preços, em um ambiente de expectativas de oferta elevada na temporada 2026/27.
Em contrapartida, o setor de etanol continua apresentando sinais positivos de demanda. Dados divulgados na quarta-feira pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) mostraram aumento da produção semanal para 1,118 milhão de barris diários, acompanhado de leve redução dos estoques do biocombustível.
Para os produtores brasileiros, a nova perda do patamar de US$ 4,50 em Chicago reforça a necessidade de acompanhar a formação dos preços internacionais e seus reflexos sobre o mercado doméstico. O comportamento do câmbio, a competitividade das exportações brasileiras e as condições de demanda interna continuam determinantes para a comercialização do cereal.