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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 29 Out (Reuters) – A safra de soja 2026/27 do Paraná, um dos principais produtores do Brasil, foi estimada nesta quinta-feira em recorde de 22,75 milhões de toneladas, ante 22,59 milhões na previsão de setembro, ainda que as chuvas excessivas comecem a trazer alguma preocupação, de acordo com levantamento mensal do Departamento de Economia Rural (Deral).
O órgão do governo do Estado realizou um ligeiro ajuste positivo na produtividade média esperada, para 3.961 kg/hectare, ante 3.934 kg/ha, em momento em que o plantio está se desenvolvendo de forma mais lenta em meio a chuvas. Após um início acelerado, os trabalhos de semeadura perderam ritmo devido ao grande volume de precipitações, e nesta semana marcaram 62% da área planejada, segundo o Deral.
Pela atual projeção, haveria um crescimento de 4% no comparativo com a safra passada. As precipitações excessivas associadas ao El Niño trazem cautela para os resultados finais, contudo.
“Neste momento, é mero ajuste de números… Ainda é muito cedo para cravarmos algum cenário seja positivo ou negativo. De fato concreto, as chuvas vêm trazendo uma piora nas condições das lavouras. E a tendência, se continuar, é isso se refletir em redução efetiva da expectativa de produção”, afirmou o especialista Edmar Gervásio, do Deral.
Conforme dados da LSEG, algumas regiões do Paraná figuram entre aquelas com registro de mais chuvas nos últimos 30 dias, com o sudoeste do Estado registrando mais de 400 milímetros, um desvio de quase 200 mm em relação ao normal para a época. E a previsão para a próxima semana é de precipitações acima da média, segundo os mapas meteorológicos.
De acordo com Gervásio, o excesso de chuvas trouxe erosões localizadas, rompimento de curvas de nível e lixiviação do solo. “Tudo pode prejudicar, com crescimento desuniforme, maior custo com tratos culturais”, afirmou. Com menos dias de sol, a fotossíntese da planta fica prejudicada, alongando o ciclo, acrescentou ele.
No limite, se as condições seguirem ruins, disse o especialista, ainda haveria tempo neste momento para replantio.
Conforme a primeira projeção da estatal Conab, o Paraná tem potencial para ser o segundo Estado produtor de soja do Brasil em 2026/27, somente atrás de Mato Grosso.
CHUVAS AFETAM O TRIGO
Para a safra de trigo, o Deral reduziu a sua estimativa para 1,9 milhão de toneladas, ante 2,136 milhões na previsão do mês anterior, com as condições climáticas impactando negativamente as lavouras do Estado, um importante produtor no país.
“Todas culturas de inverno estão com quebra em função das chuvas excessivas”, disse o agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho.
“Das chuvas, especificamente, elas atrapalharam a fotossíntese… dificultaram a entrada nas áreas para manejos fitossanitários em função do solo encharcado, impediram o controle de doenças nas plantas… dificultaram a entrada das colheitadeiras, bem como a secagem dos grãos para uma colheita adequada. A lista é longa”, afirmou ele.
Neste cenário, a produção do Estado deverá cair 34% em relação ao ano passado, aprofundando uma expectativa de safra menor no Paraná, que já havia semeado 12% menos em 2026 em relação a 2025, com produtores desestimulados pelos preços e cautelosos com os efeitos do El Niño.
Há ainda preocupações com a qualidade do cereal colhido.
O Deral informou ainda que a primeira safra de milho do Estado foi estimada em 4,08 milhões de toneladas em 2026/27, estável ante a previsão de setembro, o que seria uma queda anual de 2%.
(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)